Manchmal geschieht es, daß einem absolut Vertrautes von einem Moment zum anderen völlig fremd entgegenblickt. Etwas scheint plötzlich unterbrochen zu sein, weil sich der Blick in etwas verfangen und verhakt hat, das völlig grundlos wie ein Fremdkörper in die Wirklichkeit hineinragt und sie umsomehr auseinanderzutreiben scheint, je länger man sich bemüht, diese Fremdheit zu begreifen.
Manchmal ist es nicht mehr als ein Stutzen, über das man schnell hinweggeht und das einen nicht länger irritiert, aber dann geschieht es auch, daß sich dieses plötzliche Gefühl der Fremdheit festsetzt, sich im Bild und als Bild einprägt, das immer wieder auftaucht, grundlos und ohne besondere Bedeutung ‑ wie es scheint ‑ und doch hat es ein Loch in den Tag gebrannt. Meistens versinken diese Bilder wieder ‑ verdrängt oder auch vergessen ‑belanglos und bedeutungslos ‑ wie eine kurze Bildstörung, die sofort wieder behoben ist, wie ein leises Herzflimmern, das den Pulsschlag nicht unterbricht, wie ein leichtes Stolpern, das man unwillkürlich auffängt.
Alles ist wieder so wie gewohnt oder scheint zumindest wieder so zu sein ‑bis sich eine neue Irritation einstellt, die das Gewohnte untergräbt.
In der Regel bleiben diese sporadischen Einbrüche und punktuellen Irritationen folgenlos wie flüchtige Stimmungen, denen man nicht weiter nachgeht, oder wie Gedankenfetzen, die wie Wolken rasch vorübertreiben und nur für einen Augenblick die Wahrnehmung trüben und den Blick verdunkeln ‑ quase nada.
Und doch kann es auch geschehen, daß plötzlich ein Riß durch die Wirklichkeit zu gehen scheint und alles aus den Fugen ist ‑ entregelt wie der Blick, der zögernd und vorsichtig tastend ein neues Bild zusammensetzt aus Bruchstücken der Wirklichkeit und die festgelegte Wahrnehmung plötzlich fadenscheinig wird und brüchig wie ein altes Gewebe, das wie ein Schleier über der Wirklichkeit liegt und ihre Vielschichtigkeit und Mehrdeutigkeit verdeckt.
Um diesen “kleinen Unterschied”, diese leise Verschiebung der Wahrnehmung geht es in der Ausstellung QUASE NADA. Vorgestellt werde sechs Künstler und Künstlerinnen, die in Brasilien leben und arbeiten und denen allein schon aus diesem Grunde eins gemeinsam ist: sie sind ‑ nicht zuletzt auch in dieser Ausstellung ‑ konfrontiert mit Vorstellungen und Erwartungen eines europäischen Publikums, das bewußt oder auch nicht ein ganz konkretes Bild hat von Brasilien und natürlich auch davon wie Kunst in Brasilien aussehen könnte: bunte Bilder, großformatige Gemälde, Karneval und Samba, exotische Szenen, ein bißchen Amazonas und viel.
Warum dieses Bild besteht und wie hoch der Anteil an Projektionen ist, die diesem Bild zugrunde liegen, soll und kann hier nicht thematisiert werden. Es geht vielmehr darum, die Dominanz dieses Bildes zu konterkarieren, eines Bildes, das ganz sicher die europäische Wahrnehmung dessen, was Kunst in Brasilien ist oder meint, verzerrt.
Brasilien, das ist weit mehr und auch ganz anders als Rio de Janeiro und Sao Paulo, zwei kulturelle Zentren, die schon für sich genommen kaum unterschiedlicher sein könnten. In dieser Ausstellung sind aber auch Künstler und Künstlerinnen vertreten, die wie Klinger in Belém, wie Alexandre Arouca in Macacos oder wie Lia Menna Barreto und Karin Lambrecht in Porto Alegre leben und arbeiten und damit für die ungeheure Vielfalt künstlerischer Positionen und Ansätze stehen, die in Brasilien gerade auch jenseits der großen Metropolen existieren.
Gemeinsam ist den hier vorgestellten Künstlern und Künstlerinnen, daß sich in ihren Werken fast unmerklich und sicher unspektakulär jener eigentümliche Transformationsprozeß vollzieht, der alltägliche Materialien und Gegenstände, banale Situationen und Vorgänge auf unterschiedliche Art und Weise und vor dem Hintergrund der verschiedenartigsten Traditionen und künstlerischen Ansätze in Kunst verwandelt ‑ ohne großen Aufwand und wie von ungefähr, doch mit höchster Präzision und allem Nachdruck ‑ quase nada.
Der Ausgangspunkt für die Werke von FRANCISCO KLINGER CARVALHO sind Erde und Stein, gewachsenes und geschnittenes Holz oder ‑ um es präziser zu sagen: ihre verschiedenartigen Formierungen und Formationen. Immer begegnet man in seiner Arbeit dem Gegensatz zwischen zwei Ordnungssystemen , die sich ineinander reflektieren: die abstrakte Formenwelt idealer geometrischer Gestalten wie Kreis, Dreieck, Quadrat, Quader und Würfel steht in einem spannungsvollen Diskurs mit konkreten Organismen und Formationen wie z.B. einer Astgabel, einem Baumstamm, aber auch einem Pflasterstein oder einem Erdziegel, d.h. gewachsenen und gemachten Formen, die von der Idealität geometrisch konstruierter Formen abweichen, die sie dennoch auch ‑ in etwa ‑ verkörpern. Dabei geht es weniger um den Gegensatz von Natur und Technik, sondern eher um den Unterschied zwischen konkreten, d.h. durch Material und Erfahrung spezifisch geprägten Formen und abstrakt konzipierten Gestalten. Nicht grundlos tauchen in Klingers Arbeiten Elemente und Techniken auf, die eindeutig der Alltagswirklichkeit in Belém und dem dort sedimentierten Wissen vieler Generationen entstammen ‑ z.B. wie man ein Boot oder eine Mauer baut ‑ und meist indianischer Provenienz sind. Doch auch hierbei geht es eher darum, eine andere Form von Wissen und Bildung vor dem Hintergrund abstrakter Konstrukte und Konstruktionen zu reflektieren, denen jede Abweichung von der Regel als Makel erscheint und nicht als Voraussetzung und Bedingung, zuweilen auch als Chance für ihre ‑ und darin liegt der Unterschied ‑ nicht Vergegenständlichung, sondern Verkörperung.
Ocorre às vezes o fenômeno de uma coisa absolutomente familiar nos parecer, de um momento para o outro, estranha. Com a visão do observador recaindo e se detendo sobre algo que se destaca, sem motivo algum e como um corpo estranho, na realidade circundante, tem‑se a impressäo de que um processo foi repentinamente interrompido. Nesse caso, a realidade será tanto mais desvirtuada, quanto mais se tente entender o que nela há de estranho. Trata‑se, às vezes, de um momento de passageira perplexidade logo superada, que não chega a causar maior perturbacão; mas dá‑se também o caso de aquela sensação de estranheza consequir se manter e se impor, inclusive como imagem. Uma sensação que sempre torna a se fazer sentir, ainda que sem qualquer motivo ou qualquer significado ‑ ao que parece ‑ especial, mas que sempre deixa uma indelével marca no cotidiano. Säo imagens que geralmente desaparecem, sendo reprimidas ou esquecidas como fúteis ou insignificantes ‑ à semelhanco do que se dá nas transmissões prejudicadas por interferências logo corrigidas ‑, como ligeira arritmia que näo chega a interromper a pulsação ou como pequeno tropeço que não chega a nos desaprumar. Assim, tudo parece voltar ao normal, até o instante em que a visão habitual torna a ser quebrada por nova perturbação. Via de regra, essas alterações e perturbações pontuais não geram conseqüencias, permanecendo apenas como impressões furtivas, descartáveis; ou como lampejos de pensamento, daqueles que passam como se fossem nuvens ao léu, e que só servem para preiudicar a percepção e encobrir a vista do observador por curto espaço de tempo ‑ quase nada. No entanto, pode‑se ter também uma impressão de quebra repentina da realidade, com tudo saindo de seus devidos lugares, descontroladamente; como um olhar vacilante, cuidadoso, tateante, que compõe um novo quadro feito de fragmentos da realidade, com a estabelecida percepão tornando‑se repentinamente precária e frágil. Percepão comparável a um velho tecido capaz de recobrir a realidade e de encobrir o que nela posso existir de estratificacão e ambigüidade. É em torno dessa pequena diferença, dessa ligeira alteração da percepção, que gira uma exposicäo intitulada QUASE NADA. Seis artistas são apresentados nesta exposição. Artistas que vivem e trabalham no Brasil e que, já por isso mesmo, têm algo em comum: o fato de estarem sendo confrontados ‑ inclusive nesto exposição ‑ com concepções e expectativas de um público europeu que, consciente ou inconscientemente, faz uma idéia preconcebida do que possa ser o Brasil e, conseqüentemente, de como deve ser a arte brasileira: quadros coloridos, pinturas avantajadas, carnaval, samba, cenas exóticas, um pouco de Amazonas e muita música. A que se deve a existência de uma tal idéia e em que medida ela terá sido criada por projeções mentais são coisas que não cabe e nem se pode questionar aqui. 0 que se pretende, acima disso, é contrabalançar a prepotência dessa idéia, é corrigir uma imagem que certamente desvirtua a percepção européia do que possa ser a arte no Brasil. 0 Brasil é bem mais que apenas Rio de Janeiro e São Paulo e até se distingue daqueles dois centros culturais que, por sua vez, não poderiam ser mais diferentes entre si. Mas desta exposição tombém participam artistas como Klinger e Alexandre Arouca, que vivem e trabalham em Belém e Macacos, respectivamente, ou como Lia Menna Barreto e Karin Lambrecht, de Porto Alegre. Artistas que representam uma incrivel variedade de posicionamentos e tendências artísticas existentes no Brasil, o que tombém se verifica justamente fora das grandes metrópoles. E todos têm algo em comum: em suas obras cumpre‑se, de maneira quase imperceptivel e sem qualquer espetaculosidade, aquele peculiar processo de transformação pelo qual os materiais e objetos do cotidiana, os situações banais e os acontecimentos em geral são convertidos em arte, o que se dá de diferentes formas e maneiras e diante de um pano de fundo composto pelas mais diversas tradições e iniciativas artisticas, sem grande nada. investimento, como que por acaso, mas com altissima precisão e máxima ênfase ‑ quase 0 ponto de partida das obras de KLINGER CARVALHO é assinalado por materiais como terra e pedra, por madeira em seu estado natural ou talhada e ‑ mais precisamente ‑ por diversos tipos de alinhamentos e conformações. Em seu trabalho, sempre se depara com a contraposição de dois sistemas organizacionais de mútua reflexão: o abstrato mundo das formas geométricas ideais, tais como os do círculo, do triângulo, quadrado, losango e cubo, colocado em tenso relacionamento com formações e organismos concretos, como no caso, por exemplo, de uma forquilha ou de um tronco de árvore, assim como de um paralelepípedo ou de um tijolo. Isto é: formas naturais e artificiais que se distanciam da idealidade das formas de construção geométrica, os quais, de certa forma, incorporam. Dentro deste contexto, trata‑se mais da diferença existente entre as formas concretas, especificamente cunhadas pelo material e pela experiência, de um lado, e as figuras de concepção abstrata, de outro, e nem tanto da antitese estabelecida entre a natureza e a técnica. Näo é à toa que se dá, nos trabalhos de Klinger, o surgimento de elementos e técnicas que provêm da realidade cotidiana da cidade de Belém e do conhecimento ali sedimentado ao longo de muitas gerações ‑ como no caso, por exemplo, de como se constrói um barco ou um muro. Coisas que são de providência geralmente indigena. Neste caso, também se trata, mais propriamente, da reflexäo de uma outra forma de conhecimento e formação, diante de um fundo constituido por idéias e construções abstratas, para as quais qualquer desrespeito à regra é interpretado como mácula e não como premissa ou condição prévia, com a diferença residindo numa possibilidade de incorporaçãoo e não de materialização.