Para escrever sobre um tema tão complexo, necessitaria de um tempo longo para pesquisar, analisar e concluir, tomando como base leituras cientificas. O que escreverei não e fruto de aprofundamento e pesquisa teórica, e sim uma reflexão pessoal do que ocorre no entorno do sistema das artes atuais. Nesse ambiente, falar sobre o espaço para as artes contemporâneas presidirá a divagação dialógica, o que me vem, sobretudo, dos fenômenos culturais, sociais e políticos que permitiram as rápidas mudanças no cenário mundial das artes, desde o término do modernismo. Ao me referir assim, aponto para o espaço das artes nas políticas culturais dos países; o espaço das artes nas sociedades globalizadas; o espaço das artes contemporâneas nos cenários de um planeta que exige novas e urgentes espacialidades demográficas; o espaço das artes do aqui e agora na realidade das sociedades virtuais. A arte contemporânea está repleta das mais variadas linguagens. A meios convencionais, como pintura, escultura, desenho e gravura, são acrescidas outras linguagens, como cinema, vídeo, corpo, fotografia, iluminação, laser, arquitetura, sons, design, palavras, política, física… Todos esses componentes re-conceituam a cada fração de tempo e provocam mutações nos espaços de recepção tangíveis ou intangíveis. Pluralismo é a palavra de ordem para descrever toda a massa de estilos e linguagens que se colocam á disposição de um artista: não lhe interessa mais somente fazer uso de uma linguagem, ser dono de um estilo, de uma técnica; ele lança mão de tudo o que é preciso para executar sua obra. Com a bênção de Duchamp. Beuys e Paul Thek, a arte aproxima-se da vida, perde sua aura, sacraliza-se, converte-se em produto desmaterializa-se… A produção contemporânea passa a se apropriar de tudo o quanto se possa imaginar em disponibilidade no cotidiano, na realidade próxima do artista. Assim, intervindo em espaços urbanos, naturais, no corpo, nos territórios, na esfera política, nos sítios, na interatividade, na presença, na ausência, saindo do contexto meramente contemplativo ou nele permanecendo, como produto davida e da cultura, a arte contemporânea é fruto e conseqüência da sociedade globalizada. Do ponto de vista físico, os museus e outras espaços de salvaguarda são construídos para se adequar às necessidades da arte contemporânea. Exposições como Documenta; Bienais, que pipocam por todos os cantos do mundo, mas, vão banalizando-se; Skulptur Projekte Munster, são espelhos para o pensamento do espaço na arte contemporânea. Sob a ótica mercadológica, destacam-se as feiras que, muitas vezes, institucionalizam-se. Porém, não vou me aprisionar em nenhuma digressão objetiva, pois, sendo artista e mantendo minha fidelidade ao começo, para mim, o lugar da arte contemporânea talvez seja mesmo um não lugar, um espaço construído com estrutura inabalável no imaginário de homens e mulheres, educados desde a infância para decodificar os conteúdos cognitivos, evocativos e simbólicos, que fazem de qualquer expressão cultural um valor para além do seu tempo.