A vida é cheia de ciclos e como uma grande engrenagem, da qual somos pequenas peças, formamos um sistema. Também nós criamos nossos pequenos sistemas, os quais se conectam em circularidades dinâmicas com outros ciclos. Interfaces, hibridações, mutações e proliferação de novos ciclos… Há mais de doze anos deixei meu universo amazônico; comecei assim, a percorrer o mundo, sendo um viajante, um estrangeiro aportando em lugares e culturas diferentes. Como uma superfície permeável meu fazer artístico e meu pensamento sobre a arte vai-se desenvolvendo, sou um descritor do cotidiano humano, ponte entre meu próprio mundo e o mundo exterior, leitor de realidades, tradutor de visualidades. Receber influências, estar aberto ao que está no entorno; consumir, degustar e logo expor, compartilhar, colocar para fora e alimentar novas interlocuções com o lado de dentro. Quando vivia na Amazônia, meus trabalhos eram mergulhados neste universo, no qual a comunicação se dá pelo rio e a arquitetura, em sua maioria é feita do precário, do perecível. Ao sair desta realidade tão premente, deixo-me invadir pela cultura, pela tradição, pelos conceitos distintos de um outro contexto histórico. Vivo o conflito destes dois mundos. Um que existe dentro de mim e que é parte de minha originalidade, outro que é meu aqui e agora. Tentando trabalhar estas duas forças culturais tão diversas entre si e generosas em si mesmas de diversidades identitárias. Estabeleço leituras e releitura de uma latinidade. A viagem estética, outras poéticas, o medo como objeto motor, o barco, a forma que insiste em estar presente; meus trabalhos, sempre a realidade transitória, embora muitas vezes tente recusá-la.
La vida está llena de ciclos y como en un gran engranaje, del cual somos pequeñas piezas, formamos un sistema. También creamos nuestros pequeños sistemas, los cuales se conectan en circuitos dinámicos con otros ciclos. Interfaces, hibridaciones , mutaciones y proliferación de nuevos ciclos… Hace más de doce años que dejé mi universo Amazónico; empecé así a recorrer el mundo, a ser un viajero, un extranjero abordando diferentes lugares y culturas. Como una superficie permeable, mi labor artística y mi manera de pensar sobre el arte se va desarrollando, describo la cotidianidad humana, puente entre mi propio mundo y el mundo exterior, lector de realidades, traductor de visualidades. Recibir influencias, estar abierto a lo que está en el entorno, consumir, degustar y luego exponer, compartir, sacar y alimentar nuevas interlocuciones con el lado de adentro. Mientras vivía en la Amazonía, mis obras estaban inmersas en este universo, en el que la comunicación se da a través del río y de la arquitectura, en su mayoría hecha de lo precario, de lo perecedero. Al salir de esta realidad tan fascinante, me dejo invadir por la cultura, la tradición y los distintos conceptos de otro contexto histórico. Vivo el conflicto de estos dos mundos. Uno que existe dentro de mí y que es parte de mi origen, y otro que soy yo, aquí y ahora. Trabajando con estas dos fuerzas culturales de identidades diversas tan distintas entre sí y generosas en sí mismas, establezco lecturas y relecturas de un mundo latino. El viaje estético, otras poéticas, el miedo como objeto motor, el barco, la forma que insiste en estar presente en mis trabajos; siempre la realidad transitoria que muchas veces traté de rechazar.